
Brancura pura ou vazia escuridão
A luz quente do sol ou o brilho frio da lua
Para qual caminho minha alma confrangida ondula?
Se hora ouço choro puro e doce
E outrora risada escarnecedora e obscura
Para qual inclinar-me estendendo a mão?
A paz da alegria cintilante e falsa
Ou a dor triste e verdadeira da amargura?
Se sinto a corroer-me as vísceras
A fome insaciável da loucura
Que o dia morra para que a noite, pelo céu negro escorra
Que eu agonize solitária apodrecendo em minha masmorra
Aprisionada pela força da não vontade
Pois que seria eu? Bela criatura de face sedutora,
ou horrenda miserável consumida pela vaidade?
Pouco importa, tal dilema é inútil
Já que assim levamos todos esta vida fútil
De aparências, orgulho e mediocridade
Se um dia toda a massa incrédula, se decomporá sem trégua
Perdida nas profundezas de uma egrégora da verdade.