Esfriei tanto que sinto-me gélida.
Me acalmei tanto que entreguei-me a letargia.
Aceitei tanto que me acomodei.
Ouvi tanto, que me arrancaram as orelhas e me furaram os ouvidos.
Abri tanto meus olhos que pareço tê-los cegado.
Tentei aprender e agora todas as minhas frases se repetem mecânicamente.
Me busquei em tanta coisa que não sei onde estou.
A cada dia a apatia me acorda de meus sonhos cinzentos e a esperança me fere com seus espinhos.
Caminho perdida por multidões de pernas ágeis, por muros de olhos curiosos e incansáveis, que me violam e despem-me de minhas alegrias e perspectivas, minhas dádivas.
Caminho sem rumo, sem enxergar, com os cabelos desgrenhados e as roupas rasgadas pelos ventos incessantes da banalidade.
O mundo, a vida, são uma roda que gira impiedosa em todas as direções, devorando nossos segundos e minutos, confundindo nossos sentidos.
Não sei se estou acordada.