quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Acorde Agora

Esfriei tanto que sinto-me gélida. Me acalmei tanto que entreguei-me a letargia. Aceitei tanto que me acomodei. Ouvi tanto, que me arrancaram as orelhas e me furaram os ouvidos. Abri tanto meus olhos que pareço tê-los cegado. Tentei aprender e agora todas as minhas frases se repetem mecânicamente. Me busquei em tanta coisa que não sei onde estou. A cada dia a apatia me acorda de meus sonhos cinzentos e a esperança me fere com seus espinhos. Caminho perdida por multidões de pernas ágeis, por muros de olhos curiosos e incansáveis, que me violam e despem-me de minhas alegrias e perspectivas, minhas dádivas. Caminho sem rumo, sem enxergar, com os cabelos desgrenhados e as roupas rasgadas pelos ventos incessantes da banalidade. O mundo, a vida, são uma roda que gira impiedosa em todas as direções, devorando nossos segundos e minutos, confundindo nossos sentidos. Não sei se estou acordada.

7 comentários:

O empírico disse...

O real, e o não real... O que é isso?

O importante é desviarmos da árvore que está na nossa frente...

Ale disse...

É estranho..somos agredidos diariamente com informações, pressões, falsas promessas, espectativas frustaradas. Somos anestesiadas e quando conseguimos perceber quem somos, e olhamos o mundo de outra forma, é natural se sentir perdida, desorientada.....MATRIX! (risos) qual foi a cor do comprimido que vc tomou?!? (hahahahahha) beijossss

Marcelo Soli disse...

medos, mitos, pessoas...tudo assusta...mas devemos seguir, pois quanto mais sem graça é a realidade mais belos são os sonhos...
"atravessar o espelho ou não?"

Olhos Clínicos disse...

Síndrome moderna isso, né???
E é difícil conviver com isso...
Mas conseguiremos todos!!!

Amei isso.. refleti muito agora!!!
Mil beijocas, Su!

O empírico disse...

Cadê novos posts??? Tá lerdo essa merda, hein! heheheheh

kitsune disse...

adorei!
frequentemente me sinto assim... a banalidade me assusta muito.
isso me lembra clube da luta: sabe que quando eu vi aquele filme eu tive vontade de sangrar pra saber que estava vivo, igual a eles? (não me ache louco, por favor...)

Anônimo disse...

Há tempos não lia algo tão profundo com que me identificasse plenamente... parabens pelas escrituras, pela emoção nas palavras, pela clareza de alma e espírito... pela ânsia de autoconhecimento... difícil hoje, encontrar pessoas assim...

Licença Creative Commons
This work by Sueysa de Andrade Pittigliani is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.
Based on a work at sukapitt.blogspot.com.