domingo, 26 de abril de 2009

Descosturada

Quando dei por mim notei que tinha me perdido em algum ponto no caminho
Perdi a mim mesma e agora não sabia onde estava
Precisava me encontrar, para saber qual era meu valor, precisamente
Não lembrava mais
Costurava ainda a pouco, fronhas nos travesseiros,
Para dormir melhor
Quando o que queria mesmo era me costurar nos sonhos
Desviar-me do despertar
Porque o sabor das coisas despertas tem sido amargo e sem calor
Nos meus sonhos tempero a meu gosto qualquer fábula brilhante que queira
Caminho nua pelas ruas, imponente, sem medo de ser vista
Mas o fato é que ficou um pouco de mim espalhado em cada canto
E agora não quero mais recolher meus pedaços
Prefiro deixá-los morrerem e secarem
Só quero pintar um quadro novo com a minha tinta
Me sentir a salvo em minha própria pele
Quero ser novamente
De mim mesma
Por isso estou absorta em estradas vazias, silenciosas
Acredito que encontrarei sozinha uma coisa que pertence só a mim
Este tempo, de andar solitária, não é preciso ser sempre
Mas agora, tem alguma coisa que deixei para trás
Que preciso ter para descobrir o princípio
Vou acender as estrelas
Quero estar segura, bela e forte quando atender a porta
Quero estar pronta

3 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

Se teve caminho, a volta não é a mesma. Ainda bem.

Bonitas essas letras que de lidas a gente encontra dentro da gente!

Beijo, queridona!

O empírico disse...

Adorei "Vou acender estrelas"

Acenda, mocinha. E por fim ascenda!

Leandro disse...

ahhhh! se ao abrir a porta estiverem as canções...
e se ao abrir a porta hajam novos horizontes...
acenda a estrela que aguarda em sua alma...
faça acender a nova estrela

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